Não gosto de pessoas que fingem ser o que não são pra conseguir o que não querem. Convenhamos, se alguém te quer, mas quer de verdade, não faz joguinhos, caras e bocas pra te ter por uma noite, por um momento, por uns dias. Se quiser, de verdade, a pessoa é o que é, quer você goste - e espera mesmo que goste - quer não. Senão, qual o propósito, afinal? Fazer-se de conta pra depois cansar de atuar, deixar cair máscaras e ir matando o encanto? Podem me dizer o que for, que é normal minimizar o encanto, o desejo, as trocas de olhares. Eu não concordo e não concordo e ponto! Eu sei o que é sentir borboletas no estômago por meses a fio e não tinha rotina que expulsava o frio da barriga. Eu sei o que é pensar e repensar mil maneiras de surpreender pra agradar e sei qual é a expectativa de não saber o que encontrar, o que esperar, o que virá do amanhã. E eu sei que é bom e que não tem fórmulas pra isso. E nem trabalho, afirmo. É fácil e eu sinto falta. Então eu não sou dessas pessoas que fingem ser o que não são, eu sou desse jeito meio sem sal, meio com pimenta. Se não gostar, não adianta, a receita vai ser sempre a mesma. Sou isso e pronto Se não há certeza agora, não vai ter certeza depois, porque não vai mudar. Eu não vou mudar. Amadurecer, certeza, mas o resto não vai mudar... Então, porquê é que muda? Porquê é que desencanta? Alguém foi o que não é, o que não seria, o que não vai ser? Vai ser culpa da rotina? Quem é que se apega a rotina e deixa que a rotina se apegue? Se entrega, culpa os dias, culpa as horas em excesso, não sabe se dividir. Mata-se o "amor" pouco a pouco. Morre-se um pouco também. Definha.
"bobiças"
Perdoa as lágrimas que escorrem mansas. É que às vezes eu sou meio boba, sabe? Tudo bem, às vezes não... Sempre. Sempre. É, sempre. Tem alguém dentro de mim que não amadurece nunca e uma parte do meu ser gosta – e muito – de comédias românticas, amores impossíveis, novelas mexicanas. Eu sou daquelas que chora. E estava lendo um livro meio bobo, meio não, bem daqueles que eu a-do-ro por demais da conta. Tinha um casal, lógico. E mais alguma coisa que me envolvia, sei lá porquê, de alguma maneira naquelas linhas redigidas em ordem cronológica, com vocabulário fácil e enredo nada demais, mas tudo de bom, sabe? No desenrolar das frases, das falas, dos encontros e desencontros, fui me envolvendo de tal maneira, que acrescentei mais dois na minha lista de personagens favoritos, mesmo continuando não ter nada demais naqueles dois, mesmo continuando não ter nada demais naquele livro que narra a vida de uma pessoa, quase como uma biografia esquisita. Então, fui lendo. E lendo. E, subitamente, o autor termina o livro na metade dele, me deixando tola, com um rio escorrendo no rosto e uma incredulidade estampada na cara. Eu folheei com pressa as páginas que seguiam, pra ver se aquilo era aquilo mesmo, e suspirei derrotada ao constatar que sim e que haveria mais 128 páginas de lágrimas e tristezas e “isso não podia ter acontecido”. Dá raiva sabe moço? Desses livros de finais improváveis e é justamente isso que eu amo tanto neles. Tal como os filmes, garoto, eu gosto de ler coisas que me arranquem lágrimas. Acho mais verossímil essas linhas gordas de dor, mesmo com toda piada embutida. Patético, certo? Inclui aí na lista, mais uma das muitas coisas malucas: Oi, ‘to querendo um livro novo... Tem algum de chorar? Ri-dí-cu-lo. E só não entro em detalhes, revelando que esses livros que choro, eu releio e choro de novo, porque seria meio vergonhoso, meio masoquista. Infantil. É. Tem um lado meu que não cresce nunca.
6 comentários Marcadores: mais do mesmo, vida doce Postado por MF. às 5.3.12
blá blá blá
Eu ando dando voltas, ensaiando enredos, tirando os dois pés do chão como se assim fosse possível recolorir a mesmice da rotina. E é. E, assim sendo, peço toda noite que isso não se perca e me esforço para isso não se perder. Não sei se foi a joaninha verde que pousou em mim, ou se foi a borboleta branca que vi voar da janela ou se foi o grilo escandaloso que me assustou numa noite quente de verão, mas o fato é que tudo ficou tão tranqüilo, tão sereno, tão em paz e tão cheio de riso e de sorte que, caramba! ‘tá fácil, entende? Acordo querendo ficar abraçada no travesseiro e o vento frio vem se esgueirando por entre a veneziana fechada, fazendo carinho no rosto como quem diz: “tentação, menina. Estou aqui pra te fazer querer ficar na cama”. Então o despertador toca, pela quarta vez, “Hear me now”, na versão de Boyce Avenue e eu resmungo um “ok, ok, ok”, jogando os travesseiros no chão e arrumando a cama – cheia de vontade de desarrumar outra vez.
E, apesar de, sorrio. Não há vestígios do mau-humor e, por Deus!, que não haja mais vestígios, farelo nenhum, nenhunzinho sequer. Saio cheia de preguiça até a mesa do café-da-manhã e me enrolo por lá o quanto dá. Até que o relógio, com seu ponteiro branco gigante, me cutuca e desespera: "acelera, bebê". Saio aos tropeços, mas sem esquecer de olhar, uma última vez, no espelho e ligar o som na estação favorita pra sorrir sozinha enquanto risco o asfalto, correndo contra o tique-taque das horas. Isso de registrar ponto é cansativo, vou lhe dizer... e olhe que é só a primeira semana. Entretanto, esse cansaço é bom, o dia desenrola depressa e logo estou de volta, enchendo a barriga com porcarias e vendo episódio atrás de episódio de Criminal Minds, mas sem esquecer de abrir espaço pros semanais de Grey's Anatomy e The Walking Dead (sim eu assisto e já aproveito pra acrescentar que em abril retorna Game Of Thrones, pra alegria geral da nação).
Insano, me parece. Narro em poucas linhas minha rotina, quase como um diário de bordo — que não interessa ninguém, vamos concordar. Então eu fico pensando o que é mesmo que eu queria dizer quando comecei a rabiscar qualquer coisa de qualquer jeito, entender esses pés e cabeça nas nuvens... Entender não, explicar. E agora fico procurando um sentido nesse querer explicar, de querer dizer porquê os pés altos, coração sambando e caminhos estranhos... Acho que sei sem saber, entende? Deve ser o verão que mexe com meus miolos cozidos debaixo do sol. Ou deve mesmo ser o verão, com as suas cores muitas, festas tão família e férias curtas, mas bem aproveitadas. É. Acho que foram mesmo as férias, esse hiato entre o conhecido e o novo. Então abracei aquele que conheço bem e deixei fluir sem estresses. Ok. Talvez um ou dois desentendimentos bobos, mas tão de minuto que, puf, esqueci.
Se quer saber, no fundo eu nem queria dizer coisa alguma. Vai ver, só falhei ao tentar escrever este. Ou seria “mais este”? É, não é o primeiro. Tampouco será o último, eu sei. Por mais que esteja fada a escrever linhas inconclusivas, ladainhas sem sentido, rotinas desinteressantes, não resisto a recomeçar de novo. Não sei... tem algo aqui dentro que pulsa, que transborda ansiedade e que tem a necessidade de vomitar aquilo que acumula na ponta dos dedos. Seja através de qualquer teclado escroto ou de caneta de cor.
No fundo, no fundinho mesmo, acho que rabisco pra tentar sentir por fora. Pra ler os sentimentos que reflito no espelho, pra entender essa saudade que dá todo fim do dia, quando um tchau é dado sem beijos e quando a noite é solitária, numa cama de solteiro. Companhia só do barulho tímido do ar-condicionado, depois dos muitos sustos e mordidas de lábios, enquanto devoro algum novo episódio de Criminal, desejando que o Spencer apareça mais do que qualquer outro personagem (yes, baby. Eu a-do-ro aquele garotinho inteligente). Então é isso. Sau-da-de.
Das férias, da companhia vinte e quatro horas, da despreocupação, do andar sem olhar as horas, de acordar sorrindo por ter sol e mais um dia de praia; ou acordar sorrindo por ter chuva e ficar na cama até a preguiça desalojar de vez. Acho que me apaixonei de novo nesses quinze dias de presença perpétua e danço um tanto boba nessa rotina cheia de preocupações e responsabilidades. Talvez essas palavras desconexas sejam só pra firmar que, apesar da rotina, da presença, do trabalho, vai tudo muito bem, obrigada. Talvez essas frases sejam só pra tatuar na memória que nada ruim dura pra sempre e que sempre terei meios de tentar contornar.
Que seja.
8 comentários Marcadores: mais do mesmo, prontocontei;, sobre amor e outras drogas;, é preciso dar vazão aos sentimentos; Postado por MF. às 15.1.12
