E talvez eu vá falar de você de novo. E de novo e de novo e de novo. Incontáveis vezes, porque eu tenho muito mais do que trezentos e sessenta e cinco motivos para ter escolhido você. Porque eu tenho me apaixonado e reapaixonado um zilhão de vezes no decorrer desse nosso tempo e porque eu carrego uma admiração tão grande comigo que não vejo outra forma. A gente nasceu para ficar junto, a gente nasceu para se encontrar, esbarrar por acaso e se amar a vida inteirinha.
Palavras e Silêncio
segundo domingo de maio ♥
Ela é mulher de fibra, de aço. Tem o coração mais mole que uma gelatina mal resfriada e imenso: nele, sempre cabe mais um. Mais um “filho postiço”, mais um amigo, mais um aluno. Ela ama sem medidas, sem espera. Se o Aurélio a tivesse conhecido, em seu dicionário veríamos seu nome*.
Você pede uma mão, ela te empresta o braço. Você pede um almoço, ela te oferece um banquete. Você não pede, mas ela sempre te dá carinho. Você não pede, mas ela reconhece tuas necessidades e por mais que a gente não fale o tempo todo sobre sentimentos, ou não fale o tempo todo dela, ela está sempre ali, de escanteio, e é peça fundamental para essa vida.
É bonito de ver, sabe? Quando fala dos seus muitos alunos, sejam eles de sete ou trinta e sete anos, tem sempre um brilho nos olhos e um sorriso sincero e dá uma felicidade ímpar e uma inveja branca. É palpável o sentimento: ela ama o que faz. Ela ama o que sempre fez e ama cada um dos muitos que esbarraram com o seu ensino, com o seu pulso firme e com o seu coração mole. Dá pra ver o orgulho nadando nos olhos quando vê a moça, para quem deu aula, sentada atrás da bancada do jornal da noite, ou quando vê um médico, ou advogado e dizer os nomes e dizer como a criança era e como é gratificante ouvi-los, ainda, chamá-la de “tia”.
A cabeça é de vento, mas é uma cabeça de vento seletiva. Praquilo que lhe é importante, praquilo que lhe toca, praquilo que ela não pode falhar, ela não falha. Ela não esquece. E como a gente amaria essa mulher se ela fosse de outra forma? Como a gente amaria essa mulher se não pudéssemos zoar com a “borboletinha”? Como amaríamos essa mulher se ela fosse regrada demais, sisuda demais, concentrada demais? O nosso amor está implícito nas pegações de pé, nas implicâncias, no deboche. Apesar de tudo, a gente zoa sempre com muito carinho. A gente zoa porque é isso que a faz ser quem é, acima de todas as outras coisas supracitadas.
Ela é gata borralheira, mas se transforma rapidamente em Cinderela quando quer. E ela é sua própria Fada Madrinha, autora da sua história, amante do “paz e amor” e tão boa, mas tão boa que, às vezes, chega a ser boba demais. E como me dói ver como tem gente insensível que abusa da sua sensibilidade. Mas é mulher de fibra e de aço. Agüenta. Chora, mas suporta. É professora, madrinha-avó, coordenadora, esposa, dona de casa, chefe de cozinha, juíza, meio de campo, artista, elo... MÃE.
Feliz dia das mães e obrigada por ser exatamente quem tu és.
♥ PS: Quer ganhar um livro "Que Momento!"? Já viu o concurso cultural que está rolando? Confere o post, entenda as regrinhas (simples, simples) e envie seu texto até dia 10/06. Você não pode ficar fora dessa!
Você pede uma mão, ela te empresta o braço. Você pede um almoço, ela te oferece um banquete. Você não pede, mas ela sempre te dá carinho. Você não pede, mas ela reconhece tuas necessidades e por mais que a gente não fale o tempo todo sobre sentimentos, ou não fale o tempo todo dela, ela está sempre ali, de escanteio, e é peça fundamental para essa vida.
É bonito de ver, sabe? Quando fala dos seus muitos alunos, sejam eles de sete ou trinta e sete anos, tem sempre um brilho nos olhos e um sorriso sincero e dá uma felicidade ímpar e uma inveja branca. É palpável o sentimento: ela ama o que faz. Ela ama o que sempre fez e ama cada um dos muitos que esbarraram com o seu ensino, com o seu pulso firme e com o seu coração mole. Dá pra ver o orgulho nadando nos olhos quando vê a moça, para quem deu aula, sentada atrás da bancada do jornal da noite, ou quando vê um médico, ou advogado e dizer os nomes e dizer como a criança era e como é gratificante ouvi-los, ainda, chamá-la de “tia”.
A cabeça é de vento, mas é uma cabeça de vento seletiva. Praquilo que lhe é importante, praquilo que lhe toca, praquilo que ela não pode falhar, ela não falha. Ela não esquece. E como a gente amaria essa mulher se ela fosse de outra forma? Como a gente amaria essa mulher se não pudéssemos zoar com a “borboletinha”? Como amaríamos essa mulher se ela fosse regrada demais, sisuda demais, concentrada demais? O nosso amor está implícito nas pegações de pé, nas implicâncias, no deboche. Apesar de tudo, a gente zoa sempre com muito carinho. A gente zoa porque é isso que a faz ser quem é, acima de todas as outras coisas supracitadas.
Ela é gata borralheira, mas se transforma rapidamente em Cinderela quando quer. E ela é sua própria Fada Madrinha, autora da sua história, amante do “paz e amor” e tão boa, mas tão boa que, às vezes, chega a ser boba demais. E como me dói ver como tem gente insensível que abusa da sua sensibilidade. Mas é mulher de fibra e de aço. Agüenta. Chora, mas suporta. É professora, madrinha-avó, coordenadora, esposa, dona de casa, chefe de cozinha, juíza, meio de campo, artista, elo... MÃE.
E meu espelho. Minha referência. Meu exemplo.
Altruísmo (s.m.): Amor desinteressado ao próximo; abnegação; filantropia; O ser Yara.
♥ PS: Quer ganhar um livro "Que Momento!"? Já viu o concurso cultural que está rolando? Confere o post, entenda as regrinhas (simples, simples) e envie seu texto até dia 10/06. Você não pode ficar fora dessa!
Que momento! (+ concurso)
Milhões e milhões e milhões de fios presos naqueles pregos brancos, debochando da minha cara assustada enquanto eu tateava os que sobrava de cabelo fixo em minha cabeça. Cuidadosamente, retirei os fios da escova (não, não como a Kamila no BBB) e joguei-os no lixo, não sem antes despejar uma risada maléfica aos fios que, em meio à papéis higiênicos, jaziam indefesos. Com cuidado, botei a escova sobre meus cabelos e deslizei suas cerdas assassinas nas minhas madeixas loiras, torcendo para que não perdesse mais um fio sequer.
Terminado todo o longo processo de escovação (três minutos, dava um Miojo), fechei os olhos no exato instante que retirei a escova dos cabelos. “Homedocéu, não me deixe mais careca”. Abri um olho, conferi o visu no espelho, assim, como quem não quer nada e as coisas pareciam, hã, conformes. MAS, como não dá para comemorar a vitória porque Rogério Ceni se adiantou no gol, ao olhar para a escovinha larapia lá estavam eles, lindos e bem lavados e amanhecidos, emaranhados um no outro em suruba desesperadora. Fiquei olhando abobada e, não fosse o suficiente, ainda colecionava vários e vários fios louros espalhados pelo piso.
Felizmente, como nem tudo são tragédias, o sanduíche do café tava de lamber os beiço e eu deixei os cabelos para lá. Acorda aí Chitãozinho e Xororó, larguem mão de ficar corneteando sobre o fio de cabelo no paletó e talicoisa. A lembrança pode até ser bonitinha e a dor de corno imensa, mas cabelo cai em paletó, lençol engruvinhado, na rua, na chuva, na fazenda ou numa casinha de sapêêê ♫
Nos desafiamos a escrever um texto 'quemomentista' para parabenizar o excelente escritor gaúcho, e autor do livro Que Momento!. O livro conta com crônicas mil vezes mais bem escritas e humoradas do que essa singela tentativa, e você pode adquiri-lo entrando em contato com o autor da obra: antonioaugustojr@gmail.com. Superindico a leitura: é leve, com uma veia humorística sagaz e totalmente diferente das mesmices que esbarramos nos livros de crônicas. Gosta do Veríssimo? Antônio Dutra é melhor.
— Aceita um desafio? Conheça o trabalho do Antônio, que mistura cotidiano, bom humor e gírias regionais e arrisque uma crônica. Poste o link da crônica aqui (caso publicado) ou envie um e-mail para feprobst@gmail.com. A crônica humorada que o autor mais curtir, levará para casa um livro autografadinho, bancado aqui pelo PS! Você não vai ficar fora dessa, vai?


