abraço eterno - fim

“O amor não morre desde que permaneça vivo em nós".
o fim, do texto da Pâm.


Senti-me apunhalado no instante que ela levantou-se, virando-me as costas e deixando-me sozinho na nossa melhor hora do dia. Como ela pode desprezar-me de tal maneira? Ontem à noite tudo tinha sido tão belo, nossa manhã fora tão linda e ela desejou um bom dia todo sorridente para mim, ainda esta manhã — pensei. O que eu tinha feito? Eu te chamava “minha princesa” e você continuou caminhando à passos lentos e cabeça baixa. Conhecendo como te conhecia, sabia que teu rosto era triste e, bem como disse uma vez, eu não gosto de te ver triste, pequena.

Sai ao teu encontro querendo explicações. E então eu lembrei. Amanhecemos, meu amor, eu saí para o trabalho como sempre e você me deixou um recado no bolso de meu casaco: Eu te amo e te espero. Volte logo. Um beijo de batom e teu perfume no papel. Era o que bastava no meu dia, eu sorria ansioso por voltar. Foi aí que vieram os flashes, o barulho de freada, o carro na contramão e depois, tudo escuro, breu, molhado. Não, não poderia ser verdade. Não acontecera. Fora um sonho ruim, se fosse o que pensava ser, não doeria...

Mas não estava doendo, estava? Eu me sentia... aliviado. Como se tudo de ruim tivesse passado, a agonia por ar, o desespero ao cair da ponte, a luta por abrir uma porta, a escuridão que me cegava e depois... Amanhecia outra vez. Não, não, não! Como pude te causar esse sofrimento, princesa? Como te diria que não voltaria logo... que não voltaria?

Cheguei em casa junto de você e ouvi, ao teu lado, os recados de que você não entendia. Notícias ruins sempre voam, mas tardam à chegar aos ouvidos daqueles que ainda tem esperança no peito, de que nada acontecera, de que nada estivesse acontecendo, embora o coração já estivesse facetado. Estilhaçado. Você sabia da dor, mas não associava realmente os fatos até que veio a voz que tudo sabe, aquela por quem você não questionaria. E ela veio, te dizendo um Sinto muito e te abraçando em seguida, entre soluços. E você soluçou também, o que era errado. Princesas não poderiam ser tristes.

Abracei você também, então. Desejando que não doesse, que teu coração não parasse, feito o meu. E me alojei nesse teu pequeno pedaço de vida, que tu me deu. Agora, minha princesa, teu coração era ainda mais meu.

32 comentários:

patyemo | 5:57 PM

Muuuito fofo...e muito triste.
Adorei.
Bjks...xau!!!

patyemo | 5:57 PM
Esta postagem foi removida pelo autor.
Marcelo Mayer | 6:12 PM

fato! o amor não morre, mas tem meio de nos matar

ótimo texto

Virna Taligian | 7:51 PM

Mas quem é que vai me abraçar, me pedindo pra não chorar quando a saudade bater? ...

Lindo texto, moça.
Suas palavras encantam demais.
beijo =*

Erica Ferro | 8:10 PM

Ai, chorei... =/
Ando muito fraca e chorosa, então, com isso, não pude evitar.

Mas, ainda depois da morte, o que é verdadeiro não morre.

:*

Ágatha Alves | 9:34 PM

Nossa que lindo flor... me emocionei
mais é assim a gente nunca sabe o que via aocntecer daqui um minuto, é muito doloroso isso..

Respondendo a sua pergunta... minha mãe é oveloquista é tipo uma função de costureira, sabe tem a que faz gola, outra barra, outra roupa enfim... oveloquista é a que faz rede de cabelo aquelas de restaurantes..

Beijos

Deh ramos | 9:59 PM

amei *-*'

carla l. | 10:50 PM

Como eu disse no comentário anterior: o amor não morre como os humanos.
Ele sobreviverá enquanto houver onde se abrigar.

Adriel | 11:17 PM

O amor quando vem verdadeiro, bate, doi para entrar, marca corpo e alma de uma vez só, e vive pela eternidade...

Grande Abraço! Moça!

Mariana Andrade. | 12:16 AM

amor que é de verdade não morre fácil..


o que escreves me deixa sem palavras.

Tati Rodrigues | 2:04 AM

'...teu coração era ainda mais meu.'

é essa a compreensão que muitas vezes nos falta sobre o amor e a morte.

uma escrita envolvente, profunda, simples, clara... gostei bastante!

cheguei no final então... não sei bem se posso dizer muito mais rs

então... até.

Luciana | 10:10 AM

Chorei.

O teu texto e o da Pam me deixaram pensando. O amor verdadeiro é marcante até em ocasiões como essa... Sempre morre uma parte e outra fica.

Bonito e triste (demais)

Beijo, Fê.

Emerson Souza | 11:28 AM

Muito bom.
Bjus.

meus instantes e momentos | 1:40 PM

belo texto.
Muito bom.
Maurizio

Jéssica Trabuco | 1:50 PM

Muito lindo esse texto!

Priscy Little | 3:17 PM

Muito lindo!
A continuação seria a saudade! Ja esta é como um amante, o nosso amor sai, ele entra.

gabriela m. | 5:55 PM

o amor pode dar às pessoas o poder de despedaçar você. ㅤ // L u aㅤN o v a

mas a gente sobrevive, como no texto;

Tati Rodrigues | 7:02 PM

nem sei como dizer direito... então vou dizer direto: escrevi um texto em sua homenagem, depois passa lá. bjs

Natacia Araújo | 7:57 PM

O inesperado sempre arrebenta com o que existe dentro da gente mesmo né?
Belo!

wcastanheira | 9:59 PM

o amor não morre, desde que permaneça...lindo texto, uma delicia passear na sua página, ela fala de alma, de coração, de entranahs, é poética, mto bom andar por aqui, adorei, bjos, bjos, bjoss

Daniela Filipini | 10:14 PM

Lindo demais!

Dandara | 1:20 AM

o teu layout me lembrou isso:
http://whi.s3.prod.lg1x8.simplecdn.net/images/972375/tumblr_ks0zt3e0ia1qzrgjmo1_400_large.jpg?1257990567

Fran.ciellen :) | 3:03 PM

Meu Deus! Eu chorei! Juro! :x
E nas minhas próximas visitas ao teu blog, espero não chorar com textos lindos assim, rs.

A partir do teu segundo parágrafo, eu me lembrei do filme "antes que termine o dia" *-----*


lindão ♥

Bê Matos | 3:09 PM

Se o acidente não fosse citado, eu talvez diria, que ele morreu de amores.

Eu lacrimejei enquanto lia.
Me tocou. :*

Pâmela Marques | 4:40 PM

Ah, esqueci de dizer: formamos uma bela parceria, sempre.
Nossos textos sempre se casam =)

Companheira de escrita.

Te adoro :*

Camila | 6:41 PM

*----* tá de uma poesia maravilhosa :)


bejoos ♥

Bárbara Fróis | 9:18 PM

Tem selinho pra você no meu blog!
Bejos

caurosa | 4:49 PM

Olá Maria Fernanda, que belo blog, sensível e inteligente, adorei, espero poder voltar mais vezes.

Paz e harmonia,

forte abraço

Caurosa

ma! =) | 10:39 PM

Tão triste, profundo e lindo.

lolla | 10:21 AM

gostei muito do seu cantinho e já tô seguindo. passa lá no meu tb, ok?
bjinhus

Tati Rodrigues | 12:33 AM

desculpe pela minha suposta ansiedade... rs... mas foi apenas zelo, caso houvesse distração... pq me distraio fácil as vezes então penso que as pessoas talvez tbm possam... rs

bom, quero fazer uma pergunta, e confesso que todas as vezes que vim aqui pensei em fazer e não o fiz... pq achei bobeira, mas qdo 'encuco' com algo não tem jeito, então lá vai...

Os textos do blog são um livro, uma história, pseudônimos?

amei seu espaço, gosto muito dos textos, inclusive li essa postagem e a resposta no outro blog e apesar de compreender a escrita e ser tocada por ela, não compreendo o contexto...

desculpe por minha ignorância, mas não resisto a uma pergunta!

bjs e até.

Meninarréa | 12:05 AM

É, garota, você sempre consegue comover com seus sentimentos escritos.
Fazendo lembrar, mais forte ainda, o que não se consegue esquecer.
E torna a saudade escorrer pelos olhos.