Eu não deveria estar ali e sabia muito bem disso. Nosso último reencontro não fora como eu imaginava, não que eu realmente imaginasse alguma coisa, mas certamente não sonhava com a sua reação raivosa e sua cara fechada. Confesso que me assustou, deveras. Mas me venci e resolvi que queria minha presença notada, ela querendo ou não. O máximo que poderia acontecer era uma carona recusada, uma cara feia forçada e uns sorrisos escapados. É, eu poderia lidar com isso.
Aguardei ansiosamente a sua vinda. Ali as luzes eram alaranjadas, provenientes de uma decoração natalina que durava o ano todo. Ela me veria, assim que fizesse a curva, sabendo que o único carro ali, seria meu. Quisera eu poder ver sua expressão antes dela saltar o carro e entrar no meu. Passava o horário e receei ter pedido a vez, talvez ela já estivesse passado afinal. Quis esconder a frustração, mas ela impregnou-se em meus olhos. Só mais uns minutos, pensei.
Bem que fiz em esperar. Não tardou e seu carro entrou no meu campo de visão, fazendo-me sorrir por dentro e devolvendo luzes aos meus olhos. Era só uma questão de tempo, então. O carro parou, ela desceu e caminhou, despreocupadamente, ao meu encontro, entrando no carro com uma tranqüilidade que não lhe pertencia na semana passada. Como sempre, antes de me olhar e me sorrir — ou me xingar — ela arrumava sua bolsa no colo e, fechando os olhos, inspirava profundamente, relaxando em seguida. Nunca entendi o porquê disso e nem me arrisquei a perguntar. Talvez fosse uma nova mania, dessas que não pude acompanhar crescimento.
Aguardava, ansioso, pela sua reação ao me olhar. Nas semanas que se passaram, pude ver felicidade, lágrimas e raiva. Não nessa ordem, mas praticamente quase. Depois de expelir o ar que estava prestes à explodir seus pulmões, ela se virou, olhou para mim e me sorriu um de seus melhores sorrisos, com princípio de lágrimas nos olhos. Impulsiva, agarrou-me o pescoço num abraço apertado, desses que se dá em despedidas. Sorriu outra vez:
— Sabe, descobri que você tinha razão. — disse ela, postando um vinco em minha testa por não entender aonde queria chegar — É, quando me disse para não dar tanto valor aos problemas e não esquecer de viver. Primeiro a vida. E sim, você tinha razão.
Eu lhe sorri, pasmo. Minha menina, que a tanto se fora, ali na minha frente feito minha. Não perdendo a oportunidade de lhe irritar, emendei interrompendo sua fala:
— Normalmente a razão é minha. — E então calei sua raiva, que surgia ao término dessa pequena frase, com um beijo de sorrisos. E o tempo fora nosso, outra vez.
traço 097
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*(...) Acho que não vai dar, tô cansado demais. Vou ver a vida a pé, acho
normal tá no mundo feito faz o mar num grão de areia.*
*Marcelo Camelo*

24 comentários:
Queria poder pintar um sorriso doce sempre nos lábios dessa moça. As coisas podem ser diferentes, basta que o medo seja vencido. Às vezes esperar e arriscar pode nos surpreender.
Que todos os outros dias sejam dos dois; e os sonhos se tornem realidade.
beijo =*
é o retrato! sorrindo beijos, beijos calados
e o tempo sempre se faz, no momento certo...
Grande Abraço! Moça!
É preciso ser natural...não ter medo...e viver cada minuto...da um tempo ao próprio tempo.
Abraços
de luz e paz.
Hugo
Queria o "nosso" de volta. Unf!
Sempre com lindos textos.
Muito bom mesmo seu blog.
:)
(ainda) bem que acabou bem;
Não esquecer de viver!
Lindo.
Beijo.
Adorei *-*
seus textos são muito perfeitos...
bjus ;*
Porque simplesmente seus textos me fascinam. Apaixonada por cada um, sem exceção!
beijooo flor
"Não perdendo a oportunidade de lhe irritar"
Me é tão familiar fazer isso..!
Tão lindo, Fe...! Os anteriores também estao.
Voltei ao tempo em que te lia calada...!
e é asssim... não esquecer de viver, nunca
no final está tudo bem
e beijos, sorrisos, calados
são melhores que qualquer coisa no mundo
Beijos
Me calo.
Foi uma coisa gostosa de se ler, de tão doce.
Não posso ficar lendo essas coisas, ando tão melosa ultimamente que sou capaz de sonhar acordada - me colocando no lugar da personagem.
Ai, ai..
Gostei desse, em especial :)
Ousado colocar o masculino na primeira pessoa. Poderia tentar mais vezes com personagens mais definidos psicologicamente. Seria deveras interessante.
aaah, também fazia isso de me colocar como homem, na época em que escrevia contos, tenho que voltar a essa prática.
mas, quanto ao teu texto, ficou muito bom! eu abri teu blog uma vez, vi o texto grande e fechei por preguiça de ler aheuhae aí depois bateu arrependimento e eu voltei à página.. foi a melhor coisa que fiz... gostoso mesmo de ler.
=*
Beijo de sorrisos é doce.
=)
Quero-quero!
Que texto lindo!
Li alguns outros e gostei muito também *-*
Vou te seguir, okay? ;*
tem que viver, tem que viver.
cada minutinho!
Lindo Maria!
Você também é tão detalhista :)
beijo-beijo.
Encontros, desencotros, aflições... A vida teria graça sem as pequenas desavenças que surgem entre os relacionamentos? Não mesmo!
ameii super o texto!!
obrigadaa querida, adorei a aqui tb e a sua visitinha!!!
Beijooo :*
Você sabe delicar as palavras...
Sabe sim!
Se sabe...
Adorei.
bjus.
Lindo demaissss!
mE ARREPIEI, JURO!
Bjo :)
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